domingo, 12 de fevereiro de 2012

criatura noturna






Esta história é baseada em fatos reais. História que me fez ter surtos de medo toda vez que me recordava. Certa vez, após eu ter contado esta história para um amigo, ele disse que nunca mais conseguiu dobrar uma esquina rente a um muro. Ele hoje em dia vai para o meio da rua e averigua se não há ninguém na dobra da esquina o aguardando. Ninguém, alguém ou algum ser noturno!

Pâmela tivera que trocar seu horário de aula para noite, já que conseguira um estágio à tarde. Filha exemplar, criada apenas pela sua mãe, que a pouco tempo ficara debilitada por problemas renais crônicos. Mesmo com apenas dezesseis anos ela já tinha responsabilidades de adulta, já que mãe e filha contavam apenas uma com a outra.

Certa noite, em sala de aula todos ficaram assustados com clarões, vindos da rua. Como se fossem canhões de luz ou uma sinaleira, mas vindo do alto. Então as luzes cessaram e La no auto avistou-se um ponto de luz cruzar o céu.

- o que seria aquilo? – pensou Pâmela – será que os fachos de luz e o ponto que cruzara o tinham céu

ligação? – Bem ao certo ninguém sabia, a única certeza era que o medo tomou conta do lugar.

A professora Ângela de psicologia, não conseguiu continuar a aula. Ângela mais derrubava água sobre sua mesa do que bebia, por tamanha tremura. Os alunos ligaram para os pais irem os buscar ou combinaram-se de irem em grupos para casa. Mas Pâmela não permitiu que o medo fosse maior que a vergonha. Então não pediu carona, tendo que superar seu medo e andar os quase dois quilômetros sozinha.

Pâmela abraçou seus cadernos, jogou os longos cabelos para trás e seguiu a mais assustadora jornada. Mesmo fazendo este mesmo caminho todas as noites, seis vezes por semana. Mas esta noite ela sabia que seria diferente, pois o medo não a deixaria sossegar. Seria um buu! Buu! De uma coruja que ela imaginaria Aúúú de um lobo, ou um tic! tic! de uma folha senda arrastada pelo vento, que ela imaginaria tec! Tec! De passos a lhe seguir. Mas mesmo assim ela inclinou seu corpo para frente e seguiu.

- porque eu não liguei para mamãe me encontrar? – pensou ela que logo repensou – pobre mamãe não consegue nem sair de casa para comprar pães na padaria que fica a três quadras de casa, como conseguiria andar até aqui? – continuou com seus pensamentos:

- quem fez aquelas luzes acenderem? De onde elas vieram? – Pâm queria tirar de sua mente estas lembranças e perguntas, mas estava sendo difícil, ainda mais com o cenário ao redor. Muitas arvores a sua volta e uma casa aparecia quando a que ela havia passado anteriormente não avistava-se mais.

- acho que foi uma brincadeira de mau gosto – Pâm queria pôr em sua mente que as luzes não eram sobrenaturais, pois seria melhor assim pelo menos até estar em casa, então sim ela poderia cogitar a idéia de pensar o que fosse. Pois aí estaria no abrigo de sua casa e nos braços de sua mãe.

Pâmela já havia caminhado um quilometro e já estava agradecendo a Deus por já estar terminando de passar o trecho mais sombrio e que já se avistara as luzes das casas, uma próxima a outra – graças a Deus civilização – ela logo pensava, pois se alguma coisa acontecer ali onde ela se encontrava, Pâm poderia entrar em algum quintal, gritar para alguém ou bater na porta de alguma casa. Onde ela estava qualquer pessoa ficaria muito vulnerável principalmente Pâm com um metro e sessenta, magrinha totalmente sem maldade e malícias

Ela estava por um gigante muro de pedras e ao virar a esquina e continuar no lado direito ela quase tropeça em alguém – meu deus – Pâm leva à mão direita a boca e com a esquerda aperta mais os livros. Aquilo a sua

frente era desumano e a mão que levara a boca parecia que era para esconder a boca aberta pelo pavor. Pâm viu uma criança sentada no chão, encostada no muro de pedras, abraçando os joelhos finos e com a cabeça baixa totalmente careca. A criança era estranha, suas pernas e braços não pareciam ter carne e músculos, parecia apenas ter apenas ossos e pele de tão finos. Dava para contar-lhe as costelas ao lodo do abdômen, sua cabeça era maior que o comum como se sofresse de hidrocefalia e sem qualquer vestígio de cabelo ou pelos pelo corpo. Pálido, tão pálido quando uma folha de papel. Aquela criança que tiritava ao frio de julho com uma temperatura de aproximadamente seis graus, não tinha mais que sete anos de idade.

- Pobre criança, quem fizera esta barbaridade com um inocente pensou Pâm.

A jovem começou aproximar lentamente, com os olhos lacrimejando e o que já vinha em sua mente, era pegar aquele menino e levá-lo para casa, abrigá-lo, dar-lhe o que comer e depois levá-lo ao hospital. Pâm continuou a aproximação e antes mesmo que pudesse encostar a mão no ombro da trêmula criatura; Pâmela levou o pior susto de sua vida, o pavor era tão gigantesco q seu coração parecia que ia rasgar seu peito de tão fortes pulsações. O calafrio gelou sua coluna começando pela altura do quadril e foi subindo ao auto do pescoço, suas pernas enfraqueceram e deu-se a sensação que ela não conseguiria manter-se de pé, os livros despencaram ao chão. Pâm não deu importância para a poesia das aulas de literatura, nem se suas formulas de bascara da aula de matemática, tão pouco para o trabalho de história que passara três dias fazendo. Mas sim, apenas quis que aquilo que estava vendo, fosse apenas um pesadelo, o pior e mais sombrio sonho que já tivera.

Quando Pâm foi encostar a mão no ombro da criança ela levantou a cabeça de repente, olhando diretamente para a jovem. Seus olhos eram extremamente afastados e grandes, repuxados até quase as orelhas, ele não tinha nariz, apenas dois orifícios na vertical e o mais chocante e assustador, eram seus enormes dentes, ponte agudos que saiam dos lábios finos. Os dentes pareciam de um tubarão, mas entrelaçavam de modo que os dentes inferiores quase alcançavam a altura dos olhos.

Pâmela ficou ali, não acreditando que era verdade – alguém me acorde desse terrível pesadelo! – pensou ela, dando alguns passos para traz lentamente, e fitando a criatura que cada vez mais abria a boca, fazendo aquelas presas enormes abrirem, pronto para atacá-la a qualquer instante. Pân gritou, soltando dos pulmões todo o medo e desespero que sentia. Então virou o corpo e começou a correr pela rua, o mais rápido que podia não conseguia pensar em nada, apenas em salvar sua vida daquele ser. A jovem não olhou nenhum momento para traz, a sensação que tinha era que estava sendo perseguida, então se olhasse ao menos de relance, perderia velocidade e assim estaria em desvantagem. A certa altura dava para avistar sua casa, mas mesmo assim o medo não diminuiu e continuou a correr na mesma velocidade, o pavor à fazia ter mais força e mais vontade de estar no abrigo de sua velha casa.

A uma quadra de distância ouviam-se os gritos de Pâmela, gritos trêmulos, exaustos.

- Pâmela, estes gritos são de minha filha – disse Raquel abrindo a porta de casa. Pâmela pegou pelo braço de sua mãe e a levou para dentro, chegando a machucar seu braço, por tamanha força. Trancou a porta e pôs-se a ficar de costas encostada na mesma e a escorregar até o cão com as mãos na cabeça, chorando em desespero.

- O que houve minha filha? – Raquel disse já chorando tentando preparar-se para receber a noticia de um estupro ou assalto.

- Ele era horrível mamãe – Pâm ainda chorando aos soluços.

- Quem era horrível minha filha? – Raquel baixou-se para ficar a altura da filha.

- Eu vi um monstro, parecia uma criança, Mas era uma criatura horrível... – Pâm continuou a falar como era o ser que havia lhe assustado. Mas Raquel, em nenhum momento pensará que fosse um monstro e até tarde da

noite conversara com a filha e a fizera acreditar que o assustador monstro, na passava de uma criança deficiente da qual fora abandonada pelos pais ou que fugira de casa. pâm pegou no sono, o som da voz de sua mãe havia lhe acalmado. Então Raquel puxou o cobertor até a altura do pescoço, deu-lhe um beijo no rosto e fora dormir no seu quarto ao lado.

Um lindo dia amanheceu Raquel acordara-se com o som dos pássaros. Esticou os braços o Maximo que pode para alcançar o despertador que estava sobre o criado mudo. Eram sete e trinta da manha. Pôs-se a sentar na beira da cama e deu impulso para levantar-se. Mas teve que sentar-se novamente pela dor que sentira no rim. Respirou fundo e levantou-se de vagar, como se fosse uma gestante. Passou pelo quarto de Pâm que ainda estava fechado. Então l teve a idéia d fazer um café da manha e levá-lo para a filha que no dia anterior passara por um terrível trauma.

Raquel já com a bandeja as mãos, seguiu em direção ao quarto da filha, O aroma entrando em suas narinas convidando-a também para um café forte com pãezinhos amanteigados. Raquel abre a porta do quarto e seu sorriso desfez-se em um estalar de dedos, a bandeja caiu aos seus pés derrubando até mesmo o café em suas pernas, que queimara, mas que ela nem sentira pelos vários sentimentos que estava tendo. –O terror deixou-lhe com o corpo mole, o medo fez-lhe gritar e a duvida que lhe fez ir em direção a cama de sua filha.

- Meu Deus, não pode ser a Pâmela, não pode ser a minha filhinha! –Raquel quando abriu a porta do quarto deparou-se com Pâm estraçalhada, com suas vísceras espalhadas pela cama. Seu corpo estava totalmente em pedaços, o rosto não existia mais, apenas dava para ver o maxilar inteiro, era a única parte do seu corpo eu ainda dava para saber o que era. O sangue tomava a cama por completo, tornando o lençol branco em vermelho. Raquel viu tudo escuro e desmaiou ao lado do que restara do corpo da pobre e bondosa Pâmela.

Raquel chamou médicos e policiais depois que acordou. Peritos ficaram boquiabertos, alguns vomitaram ao ver o corpo. O mistério tomou lugar, pois janelas e portas estavam totalmente fechadas, sem qualquer vestígio de arrombamento. O quarto de Raquel ficava ao lado e ela não ouvira nem se quer ruídos durante a noite. Então eles desconfiaram de Raquel, pois ela era a única pessoa que poderia ter feito aquilo, mas os peritos também descartaram. No quarto de Pâmela, não havia vestígios de briga e o mais impressionante era que não havia nem se quer, uma gota de sangue no chão apenas sobre a cama. Até hoje este mistério nunca foi revelado e Raquel teve a certeza de que aquilo que sua filha vira escorado no muro não era apenas uma criança com problemas.

Léo Ramos...



terça-feira, 10 de janeiro de 2012

o acidente

1° parte





Virei o pescoço para o lado, mas não abri os olhos. A dor tomava meu corpo, principalmente na coxa direita. Continuei com os olhos fechados então movi os dedos, consegui fechar a mão esquerda da qual estava mais esticada que a direita, um pouco acima da cabeça. Senti pegar um punhado de folhas, raízes e terra. Onde eu estava? O que havia acontecido?

Abri os olhos, mas apenas enxerguei com o direito muito mato e galhos. Era noite e os únicos sons que eu podia ouvir eram os grilos que berravam ao meu redor. Tentei afirmar as mãos para levantar a dor apertou em minha mão direita e quando fui ver o dedo anelar, ele estava totalmente virado para cima – meu deus, meu dedo está quebrado, que dor, que dor – com a outra mão peguei o dedo devagar e respirei fundo duas vezes, tentei esvaziar meus pensamentos e num impulso o pus para baixo, urrei de dor e não consegui conter as lágrimas, o que estava acontecendo comigo? E por que eu estava toda machucada daquele jeito?

A ultima lembrança antes de acordar era que eu havia ido buscar sendy, minha filha de nove anos na escola de carro e que eu havia levado o pequeno Enzo de apenas dez meses no bebê-conforto. Então o medo tomou-me por completo. Só podíamos ter sofrido um acidente e eu ter sido jogada para fora do carro. Mas e meus filhos? Onde eles estavam? Estariam feridos ou mortos? – que horror, que horror – tentei levantar, mas vi que o ferimento na minha coxa era feio. Sentei par vê-lo. Havia muito sangue na calça, rasguei, dava para ver o branco dos nervos e um corte de aproximadamente doze centímetros. Com a própria calça que eu havia rasgado a envolvi acima do ferimento e amarrei com força, tentativa de estancar o sangue.

E meu olho esquerdo? Porque eu não enxergava com ele? Eu estaria cega? Mas minha saúde era a ultima coisa que me importada, pois eu só queria saber onde estavam meus filhos. Olhei para o lado e achei um galho, o peguei e o fiz de bengala para conseguir levantar. Consegui com muita dificuldade e então consegui enxergar por cima do matagal. Olhei para um lado e ao me virar para o outro vi o meu carro do qual estava capotado a uns vinte metros da onde eu estava. Pulei apenas com a perna esquerda e dobrei a direita, sempre me apoiando no galho. Com este salto parecia que mais ossos estavam quebrados, pois meu corpo por inteiro doeu muito. Se apenas um passo havia sido tão doloroso, dava-me falta de ar e vertigens em pensar quantos saltos eu teria que dar até chegar ao carro. Consegui dar mais três passos até ouvir um gruído muito alto que chegou a dar-me um frio na coluna. Qual animal teria feito aquele som? Eu ainda não sabia, mas percebi que tinha de chegar La o quanto antes. Pulei mais umas quatro vezes, dolorosos quatro pulos. Alguém puxou-me para baixo pela camisa e tapando-me a boca.

- não grite, eu não vou te machucar – disse um velho. Acocado comigo. Ele não tinha menos de setenta e cinco anos. Tinha os dentes podres, muito sujo e maltrapilho.

- ajude-me senhor meus filhos estão dentro do carro, eles podem estar feridos – disse-lhe com um tom de medo.

Ele tapou minha boca novamente.

- não fale alto moça, ele vai nos ver!

- quem vai nos ver? – disse sussurrando.

- Eu não sei se ele tem nome, eu não sei nem se ele é humano.

- mas por que temos de fugir dele?

- porque se ele te achar, ele te leva pra casa e come sua carne e nem se preocupa se você está viva ainda, então não grite e faça tudo o que eu disser se quiser viver e salvar seus filhos.

Apavorada balancei a cabeça concordando com o velho

- vá em direção ao carro arrastando-se, tente não fazer barulho e eu vou distraí-lo. E se ele te pegar, que Deus tenha piedade de sua alma. – o velho vai à direção contraria do carro abaixado. Até que se perdeu na mata alta.

Fui em direção ao carro rastejando como aquele homem havia dito mais apavorada que antes. – já não chegava eu estar toda machucada, com um olho cego, o dedo quebrado, a coxa rasgada, com o desespero de saber que meus filhos estão num carro capotado e agora saber que tem um maníaco canibal atrás de mim. Meu deus! – continuei a rastejar e derrepente mais um urro agora mais próximo.