domingo, 12 de fevereiro de 2012

criatura noturna






Esta história é baseada em fatos reais. História que me fez ter surtos de medo toda vez que me recordava. Certa vez, após eu ter contado esta história para um amigo, ele disse que nunca mais conseguiu dobrar uma esquina rente a um muro. Ele hoje em dia vai para o meio da rua e averigua se não há ninguém na dobra da esquina o aguardando. Ninguém, alguém ou algum ser noturno!

Pâmela tivera que trocar seu horário de aula para noite, já que conseguira um estágio à tarde. Filha exemplar, criada apenas pela sua mãe, que a pouco tempo ficara debilitada por problemas renais crônicos. Mesmo com apenas dezesseis anos ela já tinha responsabilidades de adulta, já que mãe e filha contavam apenas uma com a outra.

Certa noite, em sala de aula todos ficaram assustados com clarões, vindos da rua. Como se fossem canhões de luz ou uma sinaleira, mas vindo do alto. Então as luzes cessaram e La no auto avistou-se um ponto de luz cruzar o céu.

- o que seria aquilo? – pensou Pâmela – será que os fachos de luz e o ponto que cruzara o tinham céu

ligação? – Bem ao certo ninguém sabia, a única certeza era que o medo tomou conta do lugar.

A professora Ângela de psicologia, não conseguiu continuar a aula. Ângela mais derrubava água sobre sua mesa do que bebia, por tamanha tremura. Os alunos ligaram para os pais irem os buscar ou combinaram-se de irem em grupos para casa. Mas Pâmela não permitiu que o medo fosse maior que a vergonha. Então não pediu carona, tendo que superar seu medo e andar os quase dois quilômetros sozinha.

Pâmela abraçou seus cadernos, jogou os longos cabelos para trás e seguiu a mais assustadora jornada. Mesmo fazendo este mesmo caminho todas as noites, seis vezes por semana. Mas esta noite ela sabia que seria diferente, pois o medo não a deixaria sossegar. Seria um buu! Buu! De uma coruja que ela imaginaria Aúúú de um lobo, ou um tic! tic! de uma folha senda arrastada pelo vento, que ela imaginaria tec! Tec! De passos a lhe seguir. Mas mesmo assim ela inclinou seu corpo para frente e seguiu.

- porque eu não liguei para mamãe me encontrar? – pensou ela que logo repensou – pobre mamãe não consegue nem sair de casa para comprar pães na padaria que fica a três quadras de casa, como conseguiria andar até aqui? – continuou com seus pensamentos:

- quem fez aquelas luzes acenderem? De onde elas vieram? – Pâm queria tirar de sua mente estas lembranças e perguntas, mas estava sendo difícil, ainda mais com o cenário ao redor. Muitas arvores a sua volta e uma casa aparecia quando a que ela havia passado anteriormente não avistava-se mais.

- acho que foi uma brincadeira de mau gosto – Pâm queria pôr em sua mente que as luzes não eram sobrenaturais, pois seria melhor assim pelo menos até estar em casa, então sim ela poderia cogitar a idéia de pensar o que fosse. Pois aí estaria no abrigo de sua casa e nos braços de sua mãe.

Pâmela já havia caminhado um quilometro e já estava agradecendo a Deus por já estar terminando de passar o trecho mais sombrio e que já se avistara as luzes das casas, uma próxima a outra – graças a Deus civilização – ela logo pensava, pois se alguma coisa acontecer ali onde ela se encontrava, Pâm poderia entrar em algum quintal, gritar para alguém ou bater na porta de alguma casa. Onde ela estava qualquer pessoa ficaria muito vulnerável principalmente Pâm com um metro e sessenta, magrinha totalmente sem maldade e malícias

Ela estava por um gigante muro de pedras e ao virar a esquina e continuar no lado direito ela quase tropeça em alguém – meu deus – Pâm leva à mão direita a boca e com a esquerda aperta mais os livros. Aquilo a sua

frente era desumano e a mão que levara a boca parecia que era para esconder a boca aberta pelo pavor. Pâm viu uma criança sentada no chão, encostada no muro de pedras, abraçando os joelhos finos e com a cabeça baixa totalmente careca. A criança era estranha, suas pernas e braços não pareciam ter carne e músculos, parecia apenas ter apenas ossos e pele de tão finos. Dava para contar-lhe as costelas ao lodo do abdômen, sua cabeça era maior que o comum como se sofresse de hidrocefalia e sem qualquer vestígio de cabelo ou pelos pelo corpo. Pálido, tão pálido quando uma folha de papel. Aquela criança que tiritava ao frio de julho com uma temperatura de aproximadamente seis graus, não tinha mais que sete anos de idade.

- Pobre criança, quem fizera esta barbaridade com um inocente pensou Pâm.

A jovem começou aproximar lentamente, com os olhos lacrimejando e o que já vinha em sua mente, era pegar aquele menino e levá-lo para casa, abrigá-lo, dar-lhe o que comer e depois levá-lo ao hospital. Pâm continuou a aproximação e antes mesmo que pudesse encostar a mão no ombro da trêmula criatura; Pâmela levou o pior susto de sua vida, o pavor era tão gigantesco q seu coração parecia que ia rasgar seu peito de tão fortes pulsações. O calafrio gelou sua coluna começando pela altura do quadril e foi subindo ao auto do pescoço, suas pernas enfraqueceram e deu-se a sensação que ela não conseguiria manter-se de pé, os livros despencaram ao chão. Pâm não deu importância para a poesia das aulas de literatura, nem se suas formulas de bascara da aula de matemática, tão pouco para o trabalho de história que passara três dias fazendo. Mas sim, apenas quis que aquilo que estava vendo, fosse apenas um pesadelo, o pior e mais sombrio sonho que já tivera.

Quando Pâm foi encostar a mão no ombro da criança ela levantou a cabeça de repente, olhando diretamente para a jovem. Seus olhos eram extremamente afastados e grandes, repuxados até quase as orelhas, ele não tinha nariz, apenas dois orifícios na vertical e o mais chocante e assustador, eram seus enormes dentes, ponte agudos que saiam dos lábios finos. Os dentes pareciam de um tubarão, mas entrelaçavam de modo que os dentes inferiores quase alcançavam a altura dos olhos.

Pâmela ficou ali, não acreditando que era verdade – alguém me acorde desse terrível pesadelo! – pensou ela, dando alguns passos para traz lentamente, e fitando a criatura que cada vez mais abria a boca, fazendo aquelas presas enormes abrirem, pronto para atacá-la a qualquer instante. Pân gritou, soltando dos pulmões todo o medo e desespero que sentia. Então virou o corpo e começou a correr pela rua, o mais rápido que podia não conseguia pensar em nada, apenas em salvar sua vida daquele ser. A jovem não olhou nenhum momento para traz, a sensação que tinha era que estava sendo perseguida, então se olhasse ao menos de relance, perderia velocidade e assim estaria em desvantagem. A certa altura dava para avistar sua casa, mas mesmo assim o medo não diminuiu e continuou a correr na mesma velocidade, o pavor à fazia ter mais força e mais vontade de estar no abrigo de sua velha casa.

A uma quadra de distância ouviam-se os gritos de Pâmela, gritos trêmulos, exaustos.

- Pâmela, estes gritos são de minha filha – disse Raquel abrindo a porta de casa. Pâmela pegou pelo braço de sua mãe e a levou para dentro, chegando a machucar seu braço, por tamanha força. Trancou a porta e pôs-se a ficar de costas encostada na mesma e a escorregar até o cão com as mãos na cabeça, chorando em desespero.

- O que houve minha filha? – Raquel disse já chorando tentando preparar-se para receber a noticia de um estupro ou assalto.

- Ele era horrível mamãe – Pâm ainda chorando aos soluços.

- Quem era horrível minha filha? – Raquel baixou-se para ficar a altura da filha.

- Eu vi um monstro, parecia uma criança, Mas era uma criatura horrível... – Pâm continuou a falar como era o ser que havia lhe assustado. Mas Raquel, em nenhum momento pensará que fosse um monstro e até tarde da

noite conversara com a filha e a fizera acreditar que o assustador monstro, na passava de uma criança deficiente da qual fora abandonada pelos pais ou que fugira de casa. pâm pegou no sono, o som da voz de sua mãe havia lhe acalmado. Então Raquel puxou o cobertor até a altura do pescoço, deu-lhe um beijo no rosto e fora dormir no seu quarto ao lado.

Um lindo dia amanheceu Raquel acordara-se com o som dos pássaros. Esticou os braços o Maximo que pode para alcançar o despertador que estava sobre o criado mudo. Eram sete e trinta da manha. Pôs-se a sentar na beira da cama e deu impulso para levantar-se. Mas teve que sentar-se novamente pela dor que sentira no rim. Respirou fundo e levantou-se de vagar, como se fosse uma gestante. Passou pelo quarto de Pâm que ainda estava fechado. Então l teve a idéia d fazer um café da manha e levá-lo para a filha que no dia anterior passara por um terrível trauma.

Raquel já com a bandeja as mãos, seguiu em direção ao quarto da filha, O aroma entrando em suas narinas convidando-a também para um café forte com pãezinhos amanteigados. Raquel abre a porta do quarto e seu sorriso desfez-se em um estalar de dedos, a bandeja caiu aos seus pés derrubando até mesmo o café em suas pernas, que queimara, mas que ela nem sentira pelos vários sentimentos que estava tendo. –O terror deixou-lhe com o corpo mole, o medo fez-lhe gritar e a duvida que lhe fez ir em direção a cama de sua filha.

- Meu Deus, não pode ser a Pâmela, não pode ser a minha filhinha! –Raquel quando abriu a porta do quarto deparou-se com Pâm estraçalhada, com suas vísceras espalhadas pela cama. Seu corpo estava totalmente em pedaços, o rosto não existia mais, apenas dava para ver o maxilar inteiro, era a única parte do seu corpo eu ainda dava para saber o que era. O sangue tomava a cama por completo, tornando o lençol branco em vermelho. Raquel viu tudo escuro e desmaiou ao lado do que restara do corpo da pobre e bondosa Pâmela.

Raquel chamou médicos e policiais depois que acordou. Peritos ficaram boquiabertos, alguns vomitaram ao ver o corpo. O mistério tomou lugar, pois janelas e portas estavam totalmente fechadas, sem qualquer vestígio de arrombamento. O quarto de Raquel ficava ao lado e ela não ouvira nem se quer ruídos durante a noite. Então eles desconfiaram de Raquel, pois ela era a única pessoa que poderia ter feito aquilo, mas os peritos também descartaram. No quarto de Pâmela, não havia vestígios de briga e o mais impressionante era que não havia nem se quer, uma gota de sangue no chão apenas sobre a cama. Até hoje este mistério nunca foi revelado e Raquel teve a certeza de que aquilo que sua filha vira escorado no muro não era apenas uma criança com problemas.

Léo Ramos...



terça-feira, 10 de janeiro de 2012

o acidente

1° parte





Virei o pescoço para o lado, mas não abri os olhos. A dor tomava meu corpo, principalmente na coxa direita. Continuei com os olhos fechados então movi os dedos, consegui fechar a mão esquerda da qual estava mais esticada que a direita, um pouco acima da cabeça. Senti pegar um punhado de folhas, raízes e terra. Onde eu estava? O que havia acontecido?

Abri os olhos, mas apenas enxerguei com o direito muito mato e galhos. Era noite e os únicos sons que eu podia ouvir eram os grilos que berravam ao meu redor. Tentei afirmar as mãos para levantar a dor apertou em minha mão direita e quando fui ver o dedo anelar, ele estava totalmente virado para cima – meu deus, meu dedo está quebrado, que dor, que dor – com a outra mão peguei o dedo devagar e respirei fundo duas vezes, tentei esvaziar meus pensamentos e num impulso o pus para baixo, urrei de dor e não consegui conter as lágrimas, o que estava acontecendo comigo? E por que eu estava toda machucada daquele jeito?

A ultima lembrança antes de acordar era que eu havia ido buscar sendy, minha filha de nove anos na escola de carro e que eu havia levado o pequeno Enzo de apenas dez meses no bebê-conforto. Então o medo tomou-me por completo. Só podíamos ter sofrido um acidente e eu ter sido jogada para fora do carro. Mas e meus filhos? Onde eles estavam? Estariam feridos ou mortos? – que horror, que horror – tentei levantar, mas vi que o ferimento na minha coxa era feio. Sentei par vê-lo. Havia muito sangue na calça, rasguei, dava para ver o branco dos nervos e um corte de aproximadamente doze centímetros. Com a própria calça que eu havia rasgado a envolvi acima do ferimento e amarrei com força, tentativa de estancar o sangue.

E meu olho esquerdo? Porque eu não enxergava com ele? Eu estaria cega? Mas minha saúde era a ultima coisa que me importada, pois eu só queria saber onde estavam meus filhos. Olhei para o lado e achei um galho, o peguei e o fiz de bengala para conseguir levantar. Consegui com muita dificuldade e então consegui enxergar por cima do matagal. Olhei para um lado e ao me virar para o outro vi o meu carro do qual estava capotado a uns vinte metros da onde eu estava. Pulei apenas com a perna esquerda e dobrei a direita, sempre me apoiando no galho. Com este salto parecia que mais ossos estavam quebrados, pois meu corpo por inteiro doeu muito. Se apenas um passo havia sido tão doloroso, dava-me falta de ar e vertigens em pensar quantos saltos eu teria que dar até chegar ao carro. Consegui dar mais três passos até ouvir um gruído muito alto que chegou a dar-me um frio na coluna. Qual animal teria feito aquele som? Eu ainda não sabia, mas percebi que tinha de chegar La o quanto antes. Pulei mais umas quatro vezes, dolorosos quatro pulos. Alguém puxou-me para baixo pela camisa e tapando-me a boca.

- não grite, eu não vou te machucar – disse um velho. Acocado comigo. Ele não tinha menos de setenta e cinco anos. Tinha os dentes podres, muito sujo e maltrapilho.

- ajude-me senhor meus filhos estão dentro do carro, eles podem estar feridos – disse-lhe com um tom de medo.

Ele tapou minha boca novamente.

- não fale alto moça, ele vai nos ver!

- quem vai nos ver? – disse sussurrando.

- Eu não sei se ele tem nome, eu não sei nem se ele é humano.

- mas por que temos de fugir dele?

- porque se ele te achar, ele te leva pra casa e come sua carne e nem se preocupa se você está viva ainda, então não grite e faça tudo o que eu disser se quiser viver e salvar seus filhos.

Apavorada balancei a cabeça concordando com o velho

- vá em direção ao carro arrastando-se, tente não fazer barulho e eu vou distraí-lo. E se ele te pegar, que Deus tenha piedade de sua alma. – o velho vai à direção contraria do carro abaixado. Até que se perdeu na mata alta.

Fui em direção ao carro rastejando como aquele homem havia dito mais apavorada que antes. – já não chegava eu estar toda machucada, com um olho cego, o dedo quebrado, a coxa rasgada, com o desespero de saber que meus filhos estão num carro capotado e agora saber que tem um maníaco canibal atrás de mim. Meu deus! – continuei a rastejar e derrepente mais um urro agora mais próximo.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A missão

- Mais um dia, hoje é apenas mais um dia. Estou aqui na minha velha cadeira de balanço e aos meus pés meu único e verdadeiro amigo, Tóby, um cão da raça policial, do qual me acompanha há tantos anos. Hoje ele não tem muita visão e treme quando ouve um latido mais forte. Lembro-me de quando ele era novo, com vigor, eu já era velho, mas infelizmente para os cães o tempo passa muito mais rápido. Não tinha cachorro mais bravo do que Tóby em todo o quarteirão, ao contrário de hoje em dia, ele que fazia os outros cães tremerem só com o seu latido. Mas agora ele mal tem forças de mastigar sua ração.

Vejo crianças brincando no outro lado da rua, lembro de quando eu era jovem que subia e descia de árvores, quando eu jogava bola com meus amigos, quando eu trabalhava para o exercito, resumindo quando eu ainda sentia-me útil. Agora que já estou velho, não tenho mais nada a que fazer apenas viver o dia de hoje do mesmo jeito que eu vivo o dia de ontem e como vou viver o dia de amanhã. Não tenho mais expectativas de vida, como pudera também? Já tenho oitenta e sete anos e nessa idade fazer planos para que? Para viver dois ou três anos? Deixar o que vou conquistar para o governo? Só se for, pois nunca tive filhos e minha amada esposa morreu há sete anos atrás. Então vou seguindo assim como estou, não atrapalhando ninguém e não sendo atrapalhado.

O que mais pergunto a Deus é porque estou aqui, nunca fiz algo de tão útil. Algo do me marcasse até depois de minha morte. Não para ganhar méritos, mas sim para ficar bem comigo mesmo e saber que meus oitenta e sete anos valeram para alguma coisa. Não que minha vida não tenha sido boa, mas foi boa apenas a mim mesmo, tornando-me até um ser egoísta. Algum tempo atrás achei que minha missão avia se concretizado, quando cuidei de Helen, minha amada esposa. Ela não conseguiu recuperar-se de um forte derrame que tivera, a doença paralisou-lhe todo o lado esquerdo do corpo e mesmo tendo setenta e oito anos ela gostara muito de arrumar-se bem. Na verdade Helen jamais deixou de arrumar-se muito bem, pois nos conhecemos jovens, ela mal fizera dezessete anos e nos casamos. Apenas deixou se abalar após descobrir q não poderia ter filhos, mas isso durou alguns meses e logo passou. Depois que Helen sofrera o derrame ela não queria nem a visita de amigos e visinhos, pois não queria o sentimento de pena de ninguém e nem que as pessoas vissem seu rosto deformado. Fiz tudo que poderia fazer por ela, comprava-lhe vestidos, maquilagem, na tentativa de levantar sua alto-estima, mas era sempre em vão, quando ela olhara no espelho sempre via a sua realidade. Helen parou de caminhar, de sorrir e de querer viver. Até que a depressão a levou de mim, deixando-me sozinho. Então achei que era esta minha missão. Mas logo percebi que não era minha missão e sim o amor, a convivência e o medo de ficar sozinho, não cuidei de Helen só por ela, mas sim principalmente por mim, e se fiz por mim não é uma missão.

Sempre venho para a varanda ver as crianças brincarem no parque, pois lembro de quando eu era criança e sinto muita saudade de minha mãezinha, parece que lembro como se fosse hoje, fazendo a comida com seu lencinho cobrindo seus longos cabelos, quando sentava comigo e ensinava-me os perigos do mundo. Quando cantava musicas lindas de ninar, dos quais fazia minhas pálpebras pesarem de sono, com a suavidade de sua voz e quando machucava-me após cair um tombo em uma árvore ela colocava-me em seu colo e balançava-me dizendo que já ia passar e realmente logo passava e lá estava eu sobre uma árvore. Mamãe falecera aos 32 anos de pneumonia.

O que fazer de janta? Sopa ou uma carninha assada? Que nada, farei um cafezinho e comerei bolachas salgadas, não vou ir para o fogão, estou com um pouco de dor nas pernas. Amanhã levantarei cedo para consertar a cerca que já está velha, não mais que eu, mas está. Apenas rindo de minhas desgraças consigo ter um pouco de ânimo para continuar aqui neste mundo. Pois quem não aceitar sua condição é não aceitar sua realidade e não aceitar sua realidade é querer ser algo que você não é. Então fica tudo mais doloroso. Basta entregar nas mãos de Deus e apenas pedir auxílio para fazer tudo o que for de seu agrado. Pois não quero ser punido lá encima, ainda mais agora que estou velho e tenho pouco tempo neste mundo. Vou levantar-me e entrar em casa e fazer o que já é de costume, ver fotos antes de dormir e chorar lembrando-me do passado e rezar pedindo a Deus que me leve logo já que não a mais nada a fazer neste mundo.

Meu Deus, o que é isso? Não acredito no que estou vendo, uma das crianças esta no meio da rua indo buscar uma bola, e um carro esta em alta velocidade indo a sua direção, tenho que fazer alguma coisa. Estou correndo o máximo que posso em direção a criança, falta pouco e o carro está cada vez mais próximo, não vou conseguir! Consegui a empurrar para a calçada... Jesus, o carro me pegou em cheio, estou muito machucado, não sinto meu corpo, a dor é tão grande, as pessoas que estão em minha volta estão apavoradas, devo estar com vários ossos quebrados. Vejo uma luz, uma luz forte e alguém da luz vem em minha direção. Nossa é minha mãezinha, ela está me pegando no colo e agora sou uma criança. Seu sorriso é lindo e seu canto fez minha dor parar imediatamente até que ela me pos ao chão novamente. Agora sou jovem e bonito e alguém bate em meu ombro, puxa... é minha Helen, a Mesma Helen que conheci quando tinha dezessete anos, linda.

Salvei aquela criança e seus pais ficaram muito gratos por mim, como todo o quarteirão batizando a praça com meu nome, Tóby foi adotado pelos pais da criança que salvei. Encontrei a paz e hoje sei qual era a minha missão.

Léo Ramos


Fátima A amante


Que emoção naquele momento, parecia que eu estava andando nas nuvens. As lágrimas não paravam de cair e eu já não sabia se ria ou chorava de tanta felicidade. Faltavam dez dias para o meu aniversário e sem dúvida nenhuma, aquele momento era o melhor presente que eu recebera na vida. Claro que com a ajuda de Deus primeiramente e a de Odranoel, meu marido que eu tanto amava.

- É um menino.

Disse o médico continuando a passar o aparelho do ultra-som no meu ventre. Eu podia ver até suas mãozinhas. Não via hora de passar os três meses que faltavam da gestação para ter meu bebê em meu colo. Odranoel não conseguia tirar os olhos do monitor. Em quatro anos de casamento eu nunca tinha o visto tão emocionado, ele chorou também, mas conseguiu se conter mais que eu.

Chegamos em casa depois da consulta e naquele dia parecia que recém tínhamos nos conhecido, nos beijamos, abraçamos, sempre cuidado para não apertar a barriga é claro. Ele levou-me até o quarto no colo e fizemos amor, foi amor mesmo, daqueles que contem mais caricias e beijo, junto com sorriso e palavras doces. Eu realmente o amava, e acreditava que ele seria o meu amor eterno e que nada e ninguém conseguiriam abalar este sentimento, mas eu estava enganada.

Amanheceu e quando acordei odranoel não estava mais ao meu lado, ele tinha saído sorrateiramente para não me despertar, passei a mão no ventre e dei bom dia para meu bebê como já era de costume. Levantei da cama ainda sonolenta e fui ao toalete. Havia jogado ao chão uma calça de odranoel, normal, ele não era muito organizado, levei-a direto para a máquina de lavar-roupas que era seu lugar e antes de jogá-la para ser lavada revisei os bolsos para que nada que não pudesse ser lavado fosse junto. Foi aí que começou o pesadelo, achei um pedaço de papel muito bem dobrado com número e um nome: FATIMA. Fiquei brevemente desconfiada, mas não dei tanta importância, pois odranoel trabalhava em um banco. Era normal ele ter anotado um número de telefone, podia ser tanto de chefias como de clientes, e, outra, ele não seria tão tolo de aprontar e ser tão descuidado. O importante era que eu confiava nele e ele por sua vez havia me dado tantas provas que era um homem sério e sem maus pensamentos. Não seria por aquele bilhete que haveria de desconfiar.

Neste mesmo dia Odranoel chegou uma hora atrasado, me deu um beijo torto e foi direto à cozinha para ver o que tinha para janta. Nem parecia o mesmo que um dia anterior estava tão feliz pela mulher e agora pelo filho que tinha.

- você está bem?

Logo perguntei.

E Ele respondera que sim, Só estava um pouco cansado de um dia árduo de trabalho.

- você chegou tarde hoje...

Tentei conter a pergunta, mas foi mais forte que eu.

- sim, estas estradas em dezembro é uma loucura, o transito estava um horror.

Eu podia ficar desconfiada, mas logo veio na mente, que não poderia ficar dando importância a coisas pequenas e dar motivos à briga já que eu estava tão feliz com os últimos acontecimentos.

Jantamos, conversamos um pouco e logo fomos para a cama. Ele parecia meio frio, pois eu acariciava seus cabelos, dava-lhe beijos e ele ficou ali como uma estátua, nem se quer beijou meu ventre dando boa noite para nosso bebê. Fiquei muito triste, quase chorei neste dia, mas não disse qualquer palavra, apenas deitei-me e dormi.

Ao amanhecer acordei com odranoel arrumado e cautelosamente procurando algo, fiquei o observando por algum tempo. Até que perguntei o que estava a procurar. Ele ficou me olhando por pouco tempo, como se não quisesse perguntar, logo soltou:

- você viu um papel que estava no bolso da calça que eu estava há dois dias atrás?

Era aquele papel com o número da tal de Fátima. Disse para ele onde estava. Ele deu-me um beijo, pegou o papel e foi ao trabalho. Aí sim, realmente comecei a desconfiar, será que odranoel estava me traindo? E logo naquele momento que eu estava tão feliz, que faltava tão pouco para nosso filho nascer. Pois se fosse algo sem importância ele me perguntaria sem temer.

À noite preparei um jantar especial, me dediquei ao máximo e ele não chegou uma hora atrasado, chegou duas horas. Ele realmente estava me traindo, como tinha coragem de fazer uma coisa destas comigo, logo comigo que era uma excelente esposa. Ele abriu a porta e eu não consegui disfarçar, nem queria na verdade. Apenas saí da mesa e fui para cama. Ele viu que eu estava brava e foi conversar comigo.

- Desculpe por ter me atrasado, tive que deixar alguns relatórios prontos para amanhã.

Mesmo querendo acreditar, sabia que tinha algo errado, ele tinha mudado comigo. Ou era uma amante, ou ele não estava feliz pelo nosso bebê. Fiz um esforço, levantei-me da cama e fui à mesa.

- Quem é Fátima?

Ele se desconcertou inteiro, não sabia se ria, falava ou se arrumava o colarinho. Mas respondeu que era uma cliente que aguardava sua ligação para fins de trabalho. Mentira, eu ouvia aquilo louca de raiva, era a mentira pior contada que eu ouvira na vida. Ele realmente estava me traindo, cafajeste, canalha! Ele Estava com ela estas duas horas de atraso e Deus sabe lá quando que começou a me trair com aquela vagabunda. Certamente havia sido pelo peso ganho pela gravidez, os enjôos, os desejos e a sensibilidade. A outra devia estar em forma, com um corpo escultural e na cama devia ser uma vadia sádica, que a única coisa que importava para ela, era o prazer de transar e de rir da gorda que o aguardava com a jantinha pronta em casa. Mas eu prometera a mim mesma que ele ia pagar. A vontade que eu tinha era de passar uma faca em minha garganta em sua frente, para ele carregar com sigo o remorso de sua mulher e filho terem morrido. Mas eu não teria coragem de fazer uma coisa destas, o meu filho estava em primeiro lugar.

Não disse nada para ele, tentei disfarçar o máximo, fui para cama e ele quis até fazer sexo comigo, como se não bastasse o que ele fez com a Fátima piranha. Disse que estava enjoada, virei-me para o lado, mas não consegui dormir, fiquei a noite pensando e imaginando na maldita traição.

No dia seguinte fui para casa de mamãe, pois ficava perto do consultório, tinha uma porção de exames a fazer. E lá ela poderia dar-me um melhor auxilio. Em nenhum momento descansei, pois Odranoel iria Levar a desgraçada para nossa casa, então não o dei sossego. Ligava para ele de cinco em cinco minutos dês de quando ele soltava do trabalho até amanhecer, dizia que eu não estava bem e ele acreditava. Passou dois dias que eu estava longe de Odranoel, e os exames ainda não aviam terminados. Naquele dia ele havia me atendido poucas vezes e a única certeza que eu tinha era que ele estava com a outra.

Mamãe havia saído e chegou em casa, com um semblante estranho, como se ela quisesse me contar algo.

- Filha, fui até sua casa, e vi algo que prefiro não contar-lhe, acho melhor você ver com seus próprios olhos. Mas não vá agora, vá depois da meia noite.

Insisti que ela me contasse, Mas não consegui tirar nada dela, mas já sabia o que era. Mamãe queria mostrar-me Odranoel com a amante.

O tempo parecia não passar nunca, até que o relógio soou meia noite. Mamãe não passaria a noite em casa, peguei o carro de mamãe e fui direto para casa onde eu pegaria os dois no flagra. Estacionei o carro no quarteirão anterior para não fazer barulho. Até que muito perto vi uma mulher aproximar-se da porta da casa com um pacote e pensei comigo - é a vagabunda! - Peguei uma pedra do tamanho da palma da minha mão e me aproximei dela. Ela era uma mulher jovem, aparentava ter menos de trinta anos, loira, corpo bonito, bem como eu estava imaginando, era a destruidora de lares, quantos homens ela deveria já ter enlouquecido para tirá-los de suas mulheres e filhos, era uma pessoa sem escrúpulos, dava nojo só de vê-la, ela era algo que não prestava.

- Qual seu nome?

Perguntei de uma maneira seca, e sem rodeios.

- Porque você pergunta?

Ficou um pouco surpresa por eu ter perguntado tão diretamente.

- Só me diga seu nome!

Apertei a pedra na mão.

- Meu nome é Fátima, por quê?

Deixando ela sem reação dei-lhe com a pedra com toda a força e raiva que eu tinha, bem na cabeça, fazendo-a cair sangrando aos pés da porta. Agora só faltava eu ir até ele e dizer o que eu tinha feito e que não queria mais nada com ele e mais, que eu não gostaria nem que ele fosse à cadeia me visitar. Abri a porta, e estava tudo escuro, até que chegando a cozinha as luzes acenderam-se:

- surpresa!

Em coro, todos gritaram. Minha família inclusive minha mãe, meus amigos e todos mais próximos. Fiquei boquiaberta ao ver aquela cena, não parecia verdade. Era uma festa surpresa para mim. Eles vieram abraçar-me e eu não tinha reação alguma.

- Que pena que você chegou antes do bolo. Fátima, a confeiteira, iria atrasar-se, Mas achei que ela conseguiria chegar antes de você.

Comecei a chorar e disse que eu havia feito. claro que enfeitei algumas coisas, disse-lhes que achava que ala era uma bandida que havia visto em um cartaz com o seu mesmo nome. Odranoel nunca soube que eu desconfiara dele um dia. Fátima saiu na mesma noite do hospital e recuperou-se bem e hoje ela é madrinha de Felipe.


Por Léo Ramos