Que emoção naquele momento, parecia que eu estava andando nas nuvens. As lágrimas não paravam de cair e eu já não sabia se ria ou chorava de tanta felicidade. Faltavam dez dias para o meu aniversário e sem dúvida nenhuma, aquele momento era o melhor presente que eu recebera na vida. Claro que com a ajuda de Deus primeiramente e a de Odranoel, meu marido que eu tanto amava.
- É um menino.
Disse o médico continuando a passar o aparelho do ultra-som no meu ventre. Eu podia ver até suas mãozinhas. Não via hora de passar os três meses que faltavam da gestação para ter meu bebê em meu colo. Odranoel não conseguia tirar os olhos do monitor. Em quatro anos de casamento eu nunca tinha o visto tão emocionado, ele chorou também, mas conseguiu se conter mais que eu.
Chegamos em casa depois da consulta e naquele dia parecia que recém tínhamos nos conhecido, nos beijamos, abraçamos, sempre cuidado para não apertar a barriga é claro. Ele levou-me até o quarto no colo e fizemos amor, foi amor mesmo, daqueles que contem mais caricias e beijo, junto com sorriso e palavras doces. Eu realmente o amava, e acreditava que ele seria o meu amor eterno e que nada e ninguém conseguiriam abalar este sentimento, mas eu estava enganada.
Amanheceu e quando acordei odranoel não estava mais ao meu lado, ele tinha saído sorrateiramente para não me despertar, passei a mão no ventre e dei bom dia para meu bebê como já era de costume. Levantei da cama ainda sonolenta e fui ao toalete. Havia jogado ao chão uma calça de odranoel, normal, ele não era muito organizado, levei-a direto para a máquina de lavar-roupas que era seu lugar e antes de jogá-la para ser lavada revisei os bolsos para que nada que não pudesse ser lavado fosse junto. Foi aí que começou o pesadelo, achei um pedaço de papel muito bem dobrado com número e um nome: FATIMA. Fiquei brevemente desconfiada, mas não dei tanta importância, pois odranoel trabalhava em um banco. Era normal ele ter anotado um número de telefone, podia ser tanto de chefias como de clientes, e, outra, ele não seria tão tolo de aprontar e ser tão descuidado. O importante era que eu confiava nele e ele por sua vez havia me dado tantas provas que era um homem sério e sem maus pensamentos. Não seria por aquele bilhete que haveria de desconfiar.
Neste mesmo dia Odranoel chegou uma hora atrasado, me deu um beijo torto e foi direto à cozinha para ver o que tinha para janta. Nem parecia o mesmo que um dia anterior estava tão feliz pela mulher e agora pelo filho que tinha.
- você está bem?
Logo perguntei.
E Ele respondera que sim, Só estava um pouco cansado de um dia árduo de trabalho.
- você chegou tarde hoje...
Tentei conter a pergunta, mas foi mais forte que eu.
- sim, estas estradas em dezembro é uma loucura, o transito estava um horror.
Eu podia ficar desconfiada, mas logo veio na mente, que não poderia ficar dando importância a coisas pequenas e dar motivos à briga já que eu estava tão feliz com os últimos acontecimentos.
Jantamos, conversamos um pouco e logo fomos para a cama. Ele parecia meio frio, pois eu acariciava seus cabelos, dava-lhe beijos e ele ficou ali como uma estátua, nem se quer beijou meu ventre dando boa noite para nosso bebê. Fiquei muito triste, quase chorei neste dia, mas não disse qualquer palavra, apenas deitei-me e dormi.
Ao amanhecer acordei com odranoel arrumado e cautelosamente procurando algo, fiquei o observando por algum tempo. Até que perguntei o que estava a procurar. Ele ficou me olhando por pouco tempo, como se não quisesse perguntar, logo soltou:
- você viu um papel que estava no bolso da calça que eu estava há dois dias atrás?
Era aquele papel com o número da tal de Fátima. Disse para ele onde estava. Ele deu-me um beijo, pegou o papel e foi ao trabalho. Aí sim, realmente comecei a desconfiar, será que odranoel estava me traindo? E logo naquele momento que eu estava tão feliz, que faltava tão pouco para nosso filho nascer. Pois se fosse algo sem importância ele me perguntaria sem temer.
À noite preparei um jantar especial, me dediquei ao máximo e ele não chegou uma hora atrasado, chegou duas horas. Ele realmente estava me traindo, como tinha coragem de fazer uma coisa destas comigo, logo comigo que era uma excelente esposa. Ele abriu a porta e eu não consegui disfarçar, nem queria na verdade. Apenas saí da mesa e fui para cama. Ele viu que eu estava brava e foi conversar comigo.
- Desculpe por ter me atrasado, tive que deixar alguns relatórios prontos para amanhã.
Mesmo querendo acreditar, sabia que tinha algo errado, ele tinha mudado comigo. Ou era uma amante, ou ele não estava feliz pelo nosso bebê. Fiz um esforço, levantei-me da cama e fui à mesa.
- Quem é Fátima?
Ele se desconcertou inteiro, não sabia se ria, falava ou se arrumava o colarinho. Mas respondeu que era uma cliente que aguardava sua ligação para fins de trabalho. Mentira, eu ouvia aquilo louca de raiva, era a mentira pior contada que eu ouvira na vida. Ele realmente estava me traindo, cafajeste, canalha! Ele Estava com ela estas duas horas de atraso e Deus sabe lá quando que começou a me trair com aquela vagabunda. Certamente havia sido pelo peso ganho pela gravidez, os enjôos, os desejos e a sensibilidade. A outra devia estar em forma, com um corpo escultural e na cama devia ser uma vadia sádica, que a única coisa que importava para ela, era o prazer de transar e de rir da gorda que o aguardava com a jantinha pronta em casa. Mas eu prometera a mim mesma que ele ia pagar. A vontade que eu tinha era de passar uma faca em minha garganta em sua frente, para ele carregar com sigo o remorso de sua mulher e filho terem morrido. Mas eu não teria coragem de fazer uma coisa destas, o meu filho estava em primeiro lugar.
Não disse nada para ele, tentei disfarçar o máximo, fui para cama e ele quis até fazer sexo comigo, como se não bastasse o que ele fez com a Fátima piranha. Disse que estava enjoada, virei-me para o lado, mas não consegui dormir, fiquei a noite pensando e imaginando na maldita traição.
No dia seguinte fui para casa de mamãe, pois ficava perto do consultório, tinha uma porção de exames a fazer. E lá ela poderia dar-me um melhor auxilio. Em nenhum momento descansei, pois Odranoel iria Levar a desgraçada para nossa casa, então não o dei sossego. Ligava para ele de cinco em cinco minutos dês de quando ele soltava do trabalho até amanhecer, dizia que eu não estava bem e ele acreditava. Passou dois dias que eu estava longe de Odranoel, e os exames ainda não aviam terminados. Naquele dia ele havia me atendido poucas vezes e a única certeza que eu tinha era que ele estava com a outra.
Mamãe havia saído e chegou em casa, com um semblante estranho, como se ela quisesse me contar algo.
- Filha, fui até sua casa, e vi algo que prefiro não contar-lhe, acho melhor você ver com seus próprios olhos. Mas não vá agora, vá depois da meia noite.
Insisti que ela me contasse, Mas não consegui tirar nada dela, mas já sabia o que era. Mamãe queria mostrar-me Odranoel com a amante.
O tempo parecia não passar nunca, até que o relógio soou meia noite. Mamãe não passaria a noite em casa, peguei o carro de mamãe e fui direto para casa onde eu pegaria os dois no flagra. Estacionei o carro no quarteirão anterior para não fazer barulho. Até que muito perto vi uma mulher aproximar-se da porta da casa com um pacote e pensei comigo - é a vagabunda! - Peguei uma pedra do tamanho da palma da minha mão e me aproximei dela. Ela era uma mulher jovem, aparentava ter menos de trinta anos, loira, corpo bonito, bem como eu estava imaginando, era a destruidora de lares, quantos homens ela deveria já ter enlouquecido para tirá-los de suas mulheres e filhos, era uma pessoa sem escrúpulos, dava nojo só de vê-la, ela era algo que não prestava.
- Qual seu nome?
Perguntei de uma maneira seca, e sem rodeios.
- Porque você pergunta?
Ficou um pouco surpresa por eu ter perguntado tão diretamente.
- Só me diga seu nome!
Apertei a pedra na mão.
- Meu nome é Fátima, por quê?
Deixando ela sem reação dei-lhe com a pedra com toda a força e raiva que eu tinha, bem na cabeça, fazendo-a cair sangrando aos pés da porta. Agora só faltava eu ir até ele e dizer o que eu tinha feito e que não queria mais nada com ele e mais, que eu não gostaria nem que ele fosse à cadeia me visitar. Abri a porta, e estava tudo escuro, até que chegando a cozinha as luzes acenderam-se:
- surpresa!
Em coro, todos gritaram. Minha família inclusive minha mãe, meus amigos e todos mais próximos. Fiquei boquiaberta ao ver aquela cena, não parecia verdade. Era uma festa surpresa para mim. Eles vieram abraçar-me e eu não tinha reação alguma.
- Que pena que você chegou antes do bolo. Fátima, a confeiteira, iria atrasar-se, Mas achei que ela conseguiria chegar antes de você.
Comecei a chorar e disse que eu havia feito. claro que enfeitei algumas coisas, disse-lhes que achava que ala era uma bandida que havia visto em um cartaz com o seu mesmo nome. Odranoel nunca soube que eu desconfiara dele um dia. Fátima saiu na mesma noite do hospital e recuperou-se bem e hoje ela é madrinha de Felipe.
Por Léo Ramos
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